Manifesto
Mais de uma década empreendendo, duas marcas fechadas, três restaurantes quebrados e uma empresa vendida pro iFood. Por que eu acredito que empresa cresce como juros compostos, e o que este site vai documentar.
Meu primeiro negócio foi vender dieta e treino no ensino médio, pra quem queria chegar em forma na viagem do terceirão. Funcionou o bastante pra eu nunca mais conseguir me imaginar com chefe.
Dos 17 anos pra cá: uma camiseteria que vestiu as principais festas da cidade e fechou quando eu não soube mais o que fazer com ela. Um curso de business na Austrália. Uma marca de moda que voltou comigo na mala e ganhou prêmio de marca revelação em Brasília.
Na pandemia, as entregas das máscaras dessa marca se misturaram com o delivery da hamburgueria de um dos meus sócios, e disso nasceu a Pick n Go, uma operação de entregas. A Pick foi pro Rio, construiu sistema próprio, virou empresa de tecnologia e, em 2026, foi comprada pelo iFood.
Contada assim, parece uma linha reta, e não foi nada disso. As duas marcas de roupa que você leu aí em cima fecharam: a camiseteria porque eu não soube levar adiante, e a premiada acabou em 2020, no mesmo ano em que a Pick nascia.
E no meio disso tudo eu ainda tentei abrir 3 restaurantes e quebrei os três: mais de R$ 300 mil de prejuízo, no mesmo ano em que a Pick dobrava de tamanho. Eu tava nos dois. Conto o placar completo porque foi ele que me ensinou o que vou escrever aqui.
O que aprendi em mais de uma década empreendendo cabe numa ideia só: empresa cresce como juros compostos. Decisão bem feita, analisada e repetida por tempo suficiente. A camiseteria me ensinou marca. A marca me deu, sem querer, uma operação de logística.
A logística financiou um software. O software virou o produto que o iFood comprou. Nenhum desses passos pareceu grande no dia em que aconteceu, mas, compostos um sobre o outro, viraram a história inteira.
A parte difícil é que juro composto começa devagar. Existe um trecho longo, no início, em que a curva é quase reta: o trabalho existe, o resultado quase não aparece. É nesse trecho que a maioria desiste. E é sobre ele que quase ninguém escreve, porque palco nenhum aplaude trabalho invisível.
Este blog existe pra documentar exatamente essa parte. Toda semana, um artigo sobre estruturação de receita: como marketing e vendas viram um motor só, como precificar, como ler os números que importam, quando escalar e quando segurar. Com casos reais (os meus, inclusive os que deram errado) e números abertos sempre que eu puder abrir.
O que você não vai encontrar aqui: fórmula mágica, atalho, promessa de resultado em 30 dias. Se é isso que você procura, oferta no mercado é o que não falta.
Se você constrói uma empresa e quer crescer do jeito que funciona de verdade (devagar no começo, absurdo depois), assina a newsletter. Toda semana, um artigo na sua caixa de entrada. Sim, este blog tá começando do zero, e você vai ver ele crescer em público. Faz parte da tese.
Compõe.
Pedro Garcia